segunda-feira, junho 11, 2007

ZONA DE COMÉRCIO LIVRE- QUE DESAFIOS PARA MOÇAMBIQUE?

A região austral de Africa propõe-se a implementar uma Zona de Comércio Livre em 2008, a União Aduaneira em 2010, a Integração Económica em 2015, a União Monetária em 2016 e a Moeda Única em 2018. Sr. Nicolau Silulo, do Ministério da Indústria e Comércio, faz notar que o processo foi concebido tendo em conta as assimetrias regionais, por isso é um mecanismo que encoraja os investimentos transfronteiriços.“Moçambique tem um grande potencial a disponibilizar à região, nas áreas dos portos e caminhos-de-ferro, energia, turismo, entre outras. Contudo tem muito por fazer na melhoria da qualidade dos produtos para que possam competir no mercado regional”. O mercado único regional vai integrar cerca de 200 milhões de habitantes da região austral de África. Para responder aos desafios da modernização das infra-estruturas, como portos e caminhos-de-ferro e outras, Silulo disse estar em processo de criação o Fundo de Desenvolvimento da SADC, a ser investido em infra-estruturas estratégicas dos países membros.“Por causa da situação geográfica, Moçambique vai beneficiar desses fundos para responder com eficiência aos fluxos comerciais que lhe serão impostos pelo processo de integração”( Lí esta informação no portal do Governo). Bom, parece pacífico que o aprofundamento da integração regional poderá trazer para a região novos fluxos de investimento directo estrangeiro, atraídos pelo vasto mercado da África Austral. Investimentos que vão ser responsáveis pelo desenvolvimento industrial, introdução de novas tecnologias e know how e, ainda, pela criação de novos postos de trabalho. Mas é preciso não esquecer que o protocolo, só por si, não vai resolver os problemas que o sector industrial moçambicano actualmente enfrenta. Para isso é necessário que se defina uma política agrícola e industrial nacional séria e se criem os mecanismos e os instrumentos adequados de apoio a esses sectores. Por outro lado a SADC tem um desafio que consiste em minimizar o impacto negativo especialmente nas economias mais fracas da região, caso de Moçambique. É necessáro que Moçambique com apoio das economias mais fortes, aposte na inovação, tecnologia e qualidade. Estes são elementos importantes para quem pretende competir e fazer circular os seus produtos no mercado, em pé de igualdade(...) com os outros países integrados na Zona de Comércio Livre. Seria bom que :

( i) se criasse ( inexistindo, claro ) um Programa Regional para a Inovação, Tecnologia e para promoção de qualidade nas Empresas. Tal programa iria ajudar as empresas a melhorar os seus métodos de trabalho, a sua eficácia e a sua capacidade tecnológica, por forma a que adquiram a capacidade competitiva, facto que contribuirá positivamente para a promoção da industria nacional.


( ii ) se prestasse especial atenção à criação de um quadro jurídico e económico mais favorável à inovação e à utilização das novas tecnologias. Alguns aspectos jurídicos e institucionais (incluindo a organização de sistemas de ensino e de formação profissional; regras fiscais e de contabilidade; o quadro para as relações indústria/universidades) podem ter um impacto profundo na vida das das empresas nacionais. O sector produtivo sairá a ganhar com isso e, por conseguinte, a economia nacional.


Sem uma base industrial forte em cada Estado membro não será possível produzir bens exportáveis competitivos. Sem competidores não é possível esperar uma competição.

7 comentários:

Bayano Valy disse...

Caro Ilídio, foi bom ter abordado esta questão de integração regional. por acaso, falo disso também na minha postagem de ontem. o grande problema do nosso país é de gostarmos de dormir na sombra da bananeira. o processo iniciou faz um bom tempo, e pouco se fez para que cá dentro estivêssemos preparados. talvez os maiores interessados nisso, os empresários, só na quarta-feira é que decidiram abraçá-lo. imagine! o ministro diz que é preciso encontrarmos uma melhor estratégia para maximizarmos os ganhos da integração regional. era o que faltava! pensei que o Made in Mozambique fosse uma das estratégias. o que temos que fazer agora é vermos como podemos aproveitar o tempo que ficou para conter os danos. na europa, quando da criação da união europeia o único país pobre era portugal (continua a ser) e por isso era fácil canalizar-se financiamentos através do fundo comunitário para projectos económicos. é por isso que o processo da expansão demorou tanto de modo a permitir que se crie fundos adicionais para os novos membros. quantos países da sadc são pobres? será que o fundo vai chegar para todos? me parece que somente a áfrica do sul e angola é que podem ter dinheiro para tal, nós os outros teremos que comer as códeas do pão ou o que resta da mesa do banquete. talvez a nossa sorte como moçambique é que a áfrica do sul sempre viu isso como seu quintal, daí que é do seu interesse ver um moçambique forte.

ilídio macia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ilídio macia disse...

Viva, meu caro! Comentei a sua postagem. Veja. Adorei a bordagem que faz.Samora Machel,era inimigo do improviso. Que pena não ter sido ouvido aquele grande homem.

Bayano Valy disse...

Já esquecemos de nos preparar. algumas coisas ficaram só para o inglês ver.
um abraço

chapa100 disse...

estamos perante o deixa andar total. no suplemento economico do noticias temos associacoes comerciais e industria a dizer que nao sabem nada da integracao regional, nao estao preparadas.de outro lado temos tecnocratas e politicos a mostrarem-se preparados para a integracao. uma coisa e certa ha pessoas e instituicoes que brincaram ao faz de conta. isto e grave num pais que quer reduzir dependencia externa e combater a pobreza absoluta.

JJM disse...

Se a nova estratégia do governo, é tranformar o distrito como polo de desenvolvimento(???). Como é que esta estratégia vai se articular com a integração económica? Não será o pequeno produtor lá do distrito, um dos mais afectados com a integração? É que teoricamente, ele não vai puder competir com os produtos vindo da RSA. Particularmente, estou verdadeiramente excitado com os prováveis efeitos da integração. Onde há ameaças existem igualmente oportunidades. Alguns mitos, tais como “agricultura é a base de desenvolvimento” vão ser submetidos ao teste da consistência. Se durante anos não pudemos definir a estratégia e a base de desenvolvimento para a este país, então a integração vai nos impor essa base e a estratégia de desenvolvimento. Quando a necessidade aumenta a eficiência e a eficácia geralmente aumentam também. E por outro lado, será que o MIC é a entidade indicada para discutir este assunto? Duvido. E o Ministério do Plano e Desenvolvimento o que faz?Há muito que se discuta sobre a integração. Espero que este seja o ponto de partida.

JJM

rishil disse...

Caro Ilidio,
Estava mesmo a procura de ligacoes referentes a este tema/fenomeno.
Estou no presente momento a escrever a minha tese de mestrado MBA, e escolhi como tema as politicas economicas e de comercio mediante a integracao regional, as implicacoes para mocambique.
Este tema e realmente vasto, mas urge saber os pros e contras, e tambem as solucoes para possiveis consequencias.
Gostaria de trocar ideias consigo, isso se puder.
Meu email e: rishil@tdm.co.mz